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Visita ao Sambaqui - Foto Divulgação

Neste fim de semana, Integrantes da Sociedade Interamericana de Astronomia das Culturas (SIAC) estiveram no Sítio Arqueológico do Sambaqui da Beirada e na Igreja de Nossa Senhora de Nazareth.

Um grupo de cerca de 20 pesquisadores do Brasil e de várias nacionalidades da América Latina veio a Saquarema para visitar o Sítio Arqueológico do Sambaqui da Beirada, em Barra Nova, e observar os céus da cidade. Integrantes da Sociedade Interamericana de Astronomia das Culturas (SIAC), eles também visitaram a Igreja Matriz de Nossa Senhora de Nazareth. A vinda à Saquarema possibilita a troca de conhecimentos entre os acadêmicos e avanços no conhecimento científico sobre os povos que habitaram Saquarema em períodos Pré-coloniais.
O momento mais importante da visita técnica e científica ocorreu no sábado, quando os pesquisadores estiveram no Sambaqui da Beirada para observar o pôr-do-sol às vésperas do equinócio da primavera. A data ocorre no dia 22 e marca o fim do inverno, quando as durações do dia e da noite possuem o mesmo tempo, de 12 horas. Os cientistas puderam verificar o alinhamento do sol poente com a paisagem local nas proximidades do Pico do Cedro, na Serra do Mato Grosso.

A posição onde foi estabelecido o sambaqui sugere uma relação com a paisagem da região. O local onde os povos sambaquieiros de Saquarema, há mais de 4.500 anos, ergueram seus monumentos compostos por conchas, remanescentes de moluscos e animais marítimos e da fauna local usados para alimentação, também era utilizado para seus rituais e enterramentos do grupo.
Sambaquis são monumentos arqueológicos construídos por grupos humanos do litoral brasileiro num período anterior à chegada ao território por outros grupos indígenas, os quais foram avistados pelos primeiros colonizadores europeus. A palavra sambaqui era usada pelos Tupi para designar esses locais. O vocábulo une, na língua Tupi, os termos tamba (concha) e ki (monte), e significa “monte de conchas”.

“Uma das hipóteses em pesquisa é a de que a escolha da posição espacial dos sambaquis tenha relação com os aos aspectos da paisagem local e movimentos de corpos celestes. Num primeiro momento tal localização sugere uma preocupação com relação ao sol. Sua ocupação pode ter sido pensada, em relação à localização desses monumentos de acordo com as mudanças de estação, por exemplo. Entretanto, muito embora sejam promissoras, as pesquisas ainda estão em seu início de coleta de dados e estudos. A expectativa é que avancemos ainda mais no que conhecemos sobre os sambaquis, iniciando pelo Beirada. Com essa visita, a região de Saquarema e seus patrimônios arqueológicos entram no radar de investigadores internacionais”, afirma Marcos Davi Duarte, doutor em Arqueologia pelo Museu Nacional da UFRJ e pesquisador em Arqueoastronomia, uma ciência que alia conhecimentos da arqueologia e da astronomia.

Duarte faz parte da equipe do Museu Nacional que, junto com a Prefeitura de Saquarema, elabora os últimos preparativos para a nova exposição do Sítio Arqueológico do Sambaqui da Beirada. A diretora do espaço, a historiadora Vanderlea Maria da Silva, ressalta a importância da visita dos pesquisadores à Saquarema:
“A vinda desses cientistas contribui para os avanços nos estudos sobre esses grupos humanos pré-coloniais. Ainda há muito mistério sobre como eles viviam, mas, agora a gente também está atento à possibilidade de que eles tinham um saber astronômico rudimentar. Ou seja, é preciso olhar não só para o solo, mas também para os céus a fim de compreender um pouco sobre um contexto do cotidiano dos sambaquieiros. Portanto, receber esses pesquisadores traz uma projeção internacional para Saquarema e ajuda na produção de conhecimento para esta e as próximas gerações, a partir de outras perspectivas”, declara.

A visita técnica a Saquarema ocorreu depois do Encontro Anual da SIAC, ocorrido na cidade do Rio de Janeiro. O Presidente da instituição, o arqueólogo e antropólogo Alejandro Martín López, da Universidade de Buenos Aires, destacou a relevância da visita.
“É importante que a gente entenda como esse local se relaciona com a paisagem, incluindo o céu. As pessoas não punham sítios de relevância em qualquer lugar e isso pode ter razões utilitárias ou simbólicas. Tem a ver com a construção de uma paisagem”, afirma o cientista.

Agora, depois da visita, os pesquisadores poderão ter mais elementos para seus estudos colocando Saquarema como um local de interesse acadêmico internacional. Assim, é possível reunir mais conhecimento científico sobre a cidade e toda sua região, contribuindo para o desenvolvimento da história saquaremense e a preservação de seu patrimônio arqueológico e arqueoastronômico.

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