Roda de conversa com cuidadores e profissionais da saúde sobre Cuidados Paliativos com o convidado Gabriel Mussi no oratório do HPM. Macaé/RJ. Foto: Moisés Bruno
Com o tema “Os desafios do cuidado de fim da vida”, o Hospital Público de Macaé (HPM) promoveu uma roda de conversa sobre Cuidados Paliativos, reunindo profissionais de saúde, cuidadores, familiares e especialistas em um momento de diálogo, reflexão e construção coletiva do conhecimento. A iniciativa reforça o compromisso do município com a humanização da assistência e a qualificação contínua das equipes, fortalecendo o cuidado integral oferecido aos pacientes e seus familiares.
O encontro realizado no Oratório do HPM reafirma o protagonismo de Macaé na implementação da Política Nacional de Cuidados Paliativos (PNCP), instituída pela Portaria GM/MS nº 3.681, de 7 de maio de 2024. O município tem se destacado por incorporar de forma célere as diretrizes do Ministério da Saúde, avançando na estruturação da política em âmbito municipal e consolidando uma rede de atenção integrada, acolhedora e baseada em evidências científicas.
A programação foi conduzida pela coordenadora de Cuidados Paliativos, a psicóloga Paloma Soares, e contou com roda de conversa ministrada pelo médico paliativista do Instituto de Oncologia de Macaé e coordenador da Comissão de Cuidados Paliativos do Hospital São João Batista, Gabriel Mussi, além da participação da fisioterapeuta do HPM, Patrícia Zanelli. Estiveram presentes na abertura a diretora do HPM, Cristielle Mosqueira, a coordenadora do Núcleo de Educação Permanente em Saúde (NEPS), Eliane Araújo, e a coordenadora do Serviço Social do HPM, Margareth Menezes.
O encontro teve como objetivo compartilhar experiências, ampliar o conhecimento técnico e desenvolver estratégias que contribuam para uma assistência cada vez mais qualificada, acolhedora e humanizada aos pacientes e seus familiares.
Na ocasião, o médico Gabriel Mussi ressaltou que promover espaços de discussão sobre os Cuidados Paliativos é fundamental para transformar a forma como a sociedade e os profissionais enxergam o processo de adoecimento e o fim da vida.
“Precisamos aprender a cuidar das pessoas que não têm possibilidade de cura, promovendo diálogo, capacitação e assistência voltados para a qualidade de vida e também para um processo de fim de vida digno. Ainda existe um grande tabu quando falamos sobre a morte. Muitas pessoas não sabem como lidar com essa realidade nem como acolher pacientes sem perspectiva de cura. Pensar em qualidade de vida é pensar em cuidado integral, oferecendo conforto, dignidade e bem-estar à pessoa acamada ou gravemente enferma em todas as etapas da sua trajetória. Que venham acadêmicos de Medicina, residentes, cuidadores e demais profissionais nos encontros da comissão”, citou.
Já a fisioterapeuta do HPM, Patrícia Zanelli, conduziu dinâmicas com os participantes e abordou a importância das práticas integrativas, da aromaterapia, da respiração consciente e do acolhimento como estratégias complementares no cuidado aos pacientes.
“É uma grande satisfação compartilhar esse momento com familiares, cuidadores e profissionais de saúde para refletirmos sobre um tema tão sensível e necessário. O cuidado também passa pelo acolhimento, pela escuta, pelo equilíbrio emocional e por práticas que promovem conforto e bem-estar”, comentou Patrícia.
A coordenadora de Cuidados Paliativos, Paloma Soares, destacou que encontros como este fortalecem o olhar humanizado e ampliam o conhecimento das equipes.
“Este encontro representa uma oportunidade de ampliar nossos olhares, compartilhar experiências e fortalecer os vínculos construídos por meio do cuidado. Nosso propósito é estruturar cada vez mais o plano de trabalho das equipes e consolidar todas as ações voltadas à implementação da Política Municipal de Cuidados Paliativos, promovendo uma assistência integrada, qualificada e centrada nas necessidades dos pacientes e de suas famílias”.
A diretora do Hospital Público de Macaé, Cristielle Mosqueira, enfatizou o compromisso da unidade com a formação permanente dos profissionais e com o fortalecimento da rede de assistência.
“O Hospital Público de Macaé estará sempre de portas abertas para iniciativas que promovam conhecimento, sensibilidade e humanização. Fortalecer a rede de cuidados paliativos significa investir em uma assistência mais acolhedora, integrada e comprometida com a dignidade das pessoas. Nosso maior objetivo é cuidar de cada paciente com sensibilidade, respeito, atenção e responsabilidade”.
A roda de conversa recebeu reconhecimento dos participantes, que destacaram a relevância da iniciativa para o aprimoramento da assistência prestada. Entre eles, a enfermeira do HPM, Alice Rosalino, ressaltou a importância do momento de aprendizado.
“Foi um encontro extremamente enriquecedor. Tivemos a oportunidade de trocar experiências, refletir sobre práticas humanizadas e compreender ainda mais a importância dos Cuidados Paliativos. Esses momentos fortalecem nossa atuação profissional e nos ajudam a oferecer um atendimento cada vez mais sensível, acolhedor e qualificado aos pacientes e seus familiares”, frisou.
A coordenadora do Núcleo de Educação Permanente em Saúde (NEPS), Eliane Araújo, ressaltou que a qualificação permanente dos profissionais é um dos pilares para a consolidação dos Cuidados Paliativos na rede municipal.
“A Educação Permanente em Saúde tem o compromisso de promover espaços de aprendizagem que dialoguem com a realidade dos serviços e fortaleçam a prática profissional. Discutir Cuidados Paliativos significa ampliar conhecimentos,. Esses encontros fortalecem o trabalho interdisciplinar em Macaé”, pontuou.
Organização Mundial da Saúde (OMS)
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define os Cuidados Paliativos como uma abordagem destinada a melhorar a qualidade de vida de pacientes e familiares diante de doenças que ameaçam a continuidade da vida, por meio da prevenção e do alívio do sofrimento. Essa assistência envolve atuação multiprofissional, identificação precoce, avaliação criteriosa e tratamento da dor e de outros sintomas físicos, emocionais, sociais e espirituais, respeitando a autonomia do paciente. A abordagem não busca antecipar nem prolongar a morte, mas reafirmar a vida, reconhecendo o processo de morrer como parte natural da existência e assegurando dignidade em todas as fases do cuidado.
No Hospital Público de Macaé, as equipes desenvolvem suas ações em conformidade com os princípios estabelecidos pela OMS, priorizando o alívio da dor e de sintomas físicos e emocionais, o apoio aos familiares, a promoção da autonomia do paciente, a valorização da dignidade humana e a atuação interdisciplinar. A organização também orienta que os Cuidados Paliativos sejam iniciados desde o diagnóstico de doenças graves, e não apenas na fase terminal, assegurando conforto, respeito e assistência integral durante todo o percurso terapêutico.
Vale destacar que, por meio da Portaria Municipal nº 296/2025, foi instituída a Comissão Municipal de Cuidados Paliativos, consolidando oficialmente esse serviço no Sistema Único de Saúde (SUS) de Macaé. A comissão integra os serviços de média e alta complexidade à Atenção Primária, estruturando uma linha de cuidado contínua para acompanhar o paciente em todos os pontos da Rede Municipal de Saúde.
Entre as atribuições da Comissão estão a elaboração de protocolos clínicos, a definição de critérios para inclusão de pacientes nos Cuidados Paliativos, a organização dos fluxos assistenciais entre os diferentes níveis de atenção e o desenvolvimento de ações permanentes de educação em saúde, como capacitações, oficinas e seminários. O grupo também atua na elaboração do plano de trabalho das equipes e na coordenação das estratégias necessárias para consolidar a Política Municipal de Cuidados Paliativos, fortalecendo uma rede de assistência cada vez mais integrada, humanizada e resolutiva.
