Prefeito entrega primeiras 300 Carteiras Municipais da Economia Solidária
Foto: César Ferreira
As barracas próprias são um sonho antigo dos artesãos. Atualmente, nos eventos realizados no município, eles utilizam estruturas cedidas pela Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Infraestrutura Rural — as mesmas que são utilizadas na Feira da Agricultura Familiar.
“O que a gente está fazendo aqui hoje é o reconhecimento de cada um de vocês; e a gente pretende aumentar esse reconhecimento cada vez mais. Os artesãos de Campos são pessoas que trabalham, que produzem, que estão gerando emprego. Estou muito feliz de estar aqui hoje”, disse o prefeito, que prestou uma homenagem póstuma à artesã Maria Helena Silva Rodrigues, falecida recentemente, entregando a primeira carteira a seus familiares.
Criada por meio do Decreto nº 302, assinado por Frederico Paes e publicado no Diário Oficial em 25 de agosto deste ano, a Carteira Municipal da Economia Solidária é destinada a artesãos, profissionais de gastronomia artesanal, agricultores familiares e de agroecologia, pescadores artesanais e catadores de recicláveis de Campos. Ela concede ao beneficiário uma série de benefícios, como desconto em lojas parceiras, participação em feiras, exposições, eventos e espaços de comercialização apoiados pela Prefeitura de Campos, acesso a programas de capacitação, assistência técnica e fomento e participação em editais, chamamentos públicos e ações específicas.
Graças a uma parceria com a Gerência de Economia Solidária da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Energia e Inovação, a confecção das carteiras foi custeada pela Associação Comercial e Industrial de Campos (Acic). A entidade também vai oferecer diversos benefícios aos profissionais, como condições diferenciadas de pagamento em lojas parceiras e isenção na obtenção do primeiro certificado digital para os profissionais que precisarem emitir nota fiscal.
Com seu ponto de venda instalado na Rodoviária Roberto Silveira, a artesã Maria da Penha Nogueira Silva foi a primeira profissional em atividade contemplada com o documento. “Estou muito emocionada, felicíssima. A carteira vai me ajudar muito na compra de materiais”, disse Maria da Penha, que trabalha com artesanato há cerca de 30 anos.
Para ter direito à Carteira Municipal da Economia Solidária, o trabalhador deverá se cadastrar no Sistema Municipal de Informações da Economia Solidária (Simesol), também criado pelo Decreto nº 302. O cadastro é realizado na Gerência de Economia Solidária da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Energia e Inovação, que funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, nos altos da Rodoviária Roberto Silveira.
Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Energia e Inovação, Felipe Knust, a criação da carteira representa um ganho concreto para os profissionais do segmento, que poderão fortalecer seus negócios. “Essa carteira tem uma enorme importância para a sociedade e principalmente para a economia solidária. A gente está fazendo esse cadastro para que possa oferecer qualificação, descontos em lojas e dignidade para que essas pessoas estejam cada vez mais próximas ao poder público, sendo atendidas em suas necessidades e alavancando suas vendas”.
Para o presidente da Acic, Maurício Cabral, a emissão da carteira vai favorecer os microempreendedores e fomentar a circulação de recursos, com potencial para gerar reflexos positivos no comércio local. “Nossa proposta é integrar uma rede de fornecedores e compradores através de condições especiais de pagamento, fomentar a economia local e também ampliar para mais grupos de profissionais”.
O gerente de Economia Solidária, Pedro Barcelos, observou que a jornada até a obtenção da carteira começou com a identificação dos profissionais do segmento que atuam no município, permitindo à secretaria conhecer onde moram, quais técnicas utilizam e quais são suas necessidades. Desde 2025, o número de artesãos cadastrados na secretaria aumentou de 120 para mais de 900. “Representa muito ter esse número de pessoas recebendo a carteira, porque é a marca de que elas estão sendo reconhecidas. O momento de materialização desse projeto é muito importante, porque possibilita que a política pública chegue de fato a quem precisa”.
A presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, Patrícia Cordeiro, elogiou a iniciativa de escolher o Palácio da Cultura para a entrega das carteiras. “Isso consolida a ideia de que a economia solidária tem uma linha muito tênue com a cultura. E faz também com que o Palácio da Cultura cumpra seu papel, que é o de receber artistas”, ponderou Patrícia, adiantando que, em parceria com a Gerência de Economia Solidária, está programando a realização de uma feira de artesanato nos jardins do espaço cultural.





